Zuzu Angel – a moda brasileira contra a Ditadura Militar

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Durante o mês de março ouvimos (e ainda estamos ouvindo) falar muito sobre o Golpe Militar de 1964, que completou 50 anos no dia 31 de março. Essa história marcou o início de um dos capítulos mais tristes da história de nosso país. Os 21 anos do regime foram pontuados pelo desrespeito aos direitos constitucionais, a censura, perseguição política e repressão. E no meio desse contexto todo, temos uma figura muito importante para a moda brasileira: a estilista Zuzu Angel, que teve seu filho Stuart Angel, um ativista político, torturado e morto pela Ditadura Militar na década de 70, e sua história está sendo contada em uma exposição no Itaú Cultural em São Paulo.
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Eu estive essa semana na exposição, e tive a oportunidade de conhecer um pouco mais do trabalho dessa estilista que fez história em nosso país, e divido com vocês os melhores registros dessa visita à exposição.
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Zuzu Angel começou sua carreira em 1947 ainda menina como costureira, com o tempo se tornou uma estilista pelo fato de criar sua própria moda com uma linguagem extremamente pessoal. Tratava-se, além disso, de uma moda brasileira com materiais do país e cores tropicais. Misturava renda, seda, fitas e chitas com temas regionais e folclóricos, com estampas de pássaros, borboletas e papagaios. Trouxe também para a moda as pedras brasileiras, fragmentos de bambu, de madeira e conchas.
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Trabalhos de Zuzu Angel com materiais e estampas inspirados no Brasil, antes do desaparecimento de seu filho, Stuart Angel Jones.

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Na década de 1970 abriu sua loja em Ipanema, no Rio de Janeiro, e encantou o mundo. Conquistou o mercado estadunidense, esteve presente nas vitrines de grandes lojas de departamentos e apareceu em importantes veículos de comunicação dos Estados Unidos. Pioneira, começou a divulgar sua marca colocando-a do lado externo da roupa. Um anjo era seu logotipo e foi muito usado em estampas, bordados e aplicados em vestidos, lenços, blusas e acessórios.
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Foto 1:Tecido desenvolvido com a estampa de anjo para a marca de Zuzu Angel
Foto 2: Lenço com a estampa de anjo
Foto 3: Logo tipo e comunicação visual da marca Zuzu Angel: Fitas, sacola, carimbo, etiqueta
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Sua maior luta pessoal, porém, começou com o sequestro e desaparecimento político de seu filho.  Logo após a morte de Stuart, as torturas que sofreu foram narradas a Zuzu Angel por meio de uma carta do preso político Alex Polari de Alverga.
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Foto 1: Foto de Stuart Angel- Arquivo Pessoal
Foto 2: Foto da Familia- Zuzu Angel e seua três filhos
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A partir desse fato, Zuzu Angel passou a usar sua moda como forma de protesto fazendo como ela mesma disse: “A primeira coleção de moda política da história”, usando ao lado dos anjos, as figuras de crucifixos, tanques de guerra, pássaros engaiolados, sol atrás das grades.
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 Estampa de anjos ao lado do sol atrás das grades, aplicado emm tecido através de bordados

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O uso dessas metáforas foi a solução que encontrou para simbolizar em seu trabalho a história de seu filho.
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  Croquis das estampas desenvolvidas por Zuzu Angel
para protestar a morte do seu filho pela Ditadura Militar
As estampas das fotos acima aplicadas através do bordado em
vestidos, como forma de protesto.

 Amostras de bordados em protesto a Ditadura

Em 14 de abril de 1976, na Estrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos (RJ), Zuzu Angel morreu vítima de um acidente automobilístico. Na época, o governo divulgou que a estilista teria dormido ao volante, fato contestado anos depois. Posteriormente, reconheceu-se que a estilista foi vítima de um atentado, mas até hoje as circunstâncias não foram esclarecidas.
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Uma semana antes do acidente, Zuzu deixara na casa de Chico Buarque um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse. “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”, dizia.
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Sua força e coragem inspiraram o compositor, em parceria com Miltinho do MPB4, a comporem a música “Angélica”, cuja letra pergunta, “quem é essa mulher? Em 1993, uma de suas duas filha, a jornalista Hildegard Angel, criou o Instituto Zuzu Angel de Moda do Rio de Janeiro, uma entidade civil
sem fins lucrativos.
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Na exposição que conta a história da vida de Zuzu Angel, você encontra mais sobre a sua trajetória profissional, sobre seu trabalho antes e depois da morte do seu filho através de vídeos, peças de roupas originais criadas pela estilista, croquis, fotos e documentos.
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SERVIÇO
A exposição fica no Itaú Cultural – Avenida Paulista, São Paulo/SP – e vai até 11 de maio de 2014. De
terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h. Entrada franca!
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