Panorama do mercado brasileiro de visual merchandising

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Frequentemente recebo questionamentos de profissionais querendo ingressar na área de visual merchandising e vitrinismo ou estudantes de moda que buscam especialização querendo saber “a quantas anda o mercado de visual merchandising de moda no Brasil”. Em síntese posso dizer que não é ainda um mercado estabelecido, mas há um grande potencial de crescimento nos próximos anos. E, por isso, aqueles que vislumbram trabalhar nessa área ainda tem tempo para capacitar-se.
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A consultoria de recrutamento especializado em executivos para média e alta gerência, Michael Page, pesquisou em cinco países (Estados Unidos, Brasil, Alemanha, Inglaterra e França) as carreiras que estão em alta no mundo corporativo. Em constante transformação, o mercado profissional apresenta novos cargos e postos de trabalho, ainda que muitas vezes apenas a nomenclatura seja atualiza aos tempos modernos.
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De acordo com a pesquisa realizada em 2012, são sete as profissões do futuro e, entre elas, está a de gerente de identidade visual. E ai inclui-se toda uma hierarquia de profissionais relacionados à construção de imagens sólidas e atraentes para as marcas no ponto de venda (PDV), tais como vitrinistas, visuais merchandisers e arquitetos comerciais.
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Gerente de Identidade Visual –  é encarregado de conceber cada ponto de venda ao perfil do público que o frequenta. Ele define, por exemplo, a linha de produtos que deve ganhar destaque em determinada loja, a maneira como seus vendedores devem realizar abordagens e as ações promocionais mais proveitosas.

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O ano passado, 2013, foi um ano muito apertado para a indústria de bens de consumo e as projeções para 2014 são de um mercado muito mais competitivo e com uma margem de lucro cada vez menor para conseguir ganhar posicionamento, isso inevitavelmente desenvolve a necessidade de criarem cadeiras com foco mais estratégico nas ações das áreas comerciais e cadeiras com viés analítico que acompanham a implementação dessas estratégias diretamente no ponto de venda.
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O diretor executivo da Michael Page no Brasil, Augusto Puliti, ressalta que as universidades ainda não estão preparadas para formar esses novos profissionais. Segundo ele, são mudanças que não acontecem da noite para o dia; “é preciso reorientar a estrutura curricular e a formação acadêmica”, afirma.
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Para Daniel Fonseca Maciel, professor de visual merchandising (VM) no Senac São Paulo, há quatro anos o mercado está crescendo. Os cursos de especialização e a preocupação de centros comerciais populares como o Bom Retiro e Brás, em São Paulo, também contribuíram com a mudança. “As lojas passaram a investir em bons manequins e cenografia”, disse ele.
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Sobre a assimilação de profissionais pelo mercado de trabalho, a professora de Visual Merchandising da Universidade Federal do Ceará, Syomara Duarte, afirma que “a área ainda é subestimada por grande parte das marcas, mas os maiores nomes do varejo e as franquias já têm seus profissionais de VM, sem questionamentos quanto à sua necessidade, como um posto já consolidado em seus organogramas”.
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Alguns dados do mercado brasileiro corroboram com a pesquisa da Micheal Page sobre essa evolução do
mercado e suas profissões. Recentemente, por exemplo, o IBOPE Inteligência divulgou dados do Cadastro de Shopping 2014 que aponta para a inauguração de 103 novos shoppings nós próximos quatro anos no Brasil. Se todos forem de fato inaugurados e mantiverem seu projeto atual, haverá um crescimento de 24% ao final desse período no setor. A previsão também é que 73% das inaugurações sejam em municípios com até 500 mil habitantes. Logo, a maior demanda por profissionais da cadeia de visual merchandising será no interior do país.
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O presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, também apontou recentemente em entrevista ao Portal IG que “essa vai ser a década do varejo, principalmente do varejo têxtil.” As expectativas para Riachuelo e o setor realmente são boas. E, por isso, varejistas tradicionais como TNG, Farm Animale, Valdac (Siberian, Crawford e Memove) e, no segmento mais popular, a Besni, todas essas marcas que investem pesado em visual merchandising, são algumas das empresas que estão em busca de sócios investidores para crescerem de forma rápida e sólida.
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A chegada da americana Gap em meados 2013 só confirma que o varejo de moda no Brasil, um setor bastante fragmentado e amador, está virando mercado de gente grande. E que, daqui para frente, o ambiente de competição ficará particularmente difícil para as redes menores ou menos capitalizadas. A Gap vem se juntar ao grupo de multinacionais de moda já presentes por aqui, como a holandesa C&A, líder em vestuário no país, e a maior do mundo no segmento ‘fast fashion’, a Zara, do grupo espanhol Inditex. Já aterrizaram a sueca H&M, segunda do ranking internacional em tamanho; a inglesa Top Shop no shopping JK Iguatemi; a americana Forever 21 causando filas de até 7 horas e a australiana Cotton On deve ser inaugurada esse mês de maio no Shopping Center Norte em São Paulo.
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A entrada dessas marcas internacionais acelera o processo de amadurecimento do varejo de moda e estimula a competição do segmento, instigando a adoção de estratégias, políticas e profissionais cada vez mais ousados e consistentes. Mas, para aproveitar as oportunidades que já apontam diariamente nos classificados de emprego, é preciso uma formação adequada.

Referências citadas no artigo
http://brasileconomico.ig.com.br/ultimas-noticias/vai-ser-a-decada-do-varejo_137942.html
http://www.bittencourtconsultoria.com.br/noticias/no–varejo-de-moda-a-competicao-vai-aumentar.html#sthash.bx4lRD29.dpuf
http://www.correiodopovo.com.br/blogs/planodecarreira/?p=563
http://chic.ig.com.br/moda/noticia/descubra-o-que-e-visual-merchandising-mercado-que-esta-crescendo-e-ganhando-destaque-no-brasil
http://www.profissaomoda.com.br/entrevista/pm-entrevista-syomara-duarte
http://www.valor.com.br/carreira/2777688/pesquisa-destaca-sete-profissoes-em-alta-no-brasil
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1 COMENTÁRIO

  1. Olá, Eduardo Vilas Boas.
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    Meu interesse é realmente nessa área (sou publicitário, formado em Design de interiores, ingressando na faculdade de Arquitetura nesse segundo semestre) mas falta um mercado consistente para ser explorado ainda. Percebo tudo meio difuso, mas grandes e reais possibilidades no futuro próximo.

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