Cadeia Alimentar do Visual Merchandising

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A palavra Tendência deriva do latim tendentia e significa “tender para”, “inclinar-se para” ou ser “atraído para”. A ideia de tendência modificou-se ao longo do tempo deixando o conceito de certeza absoluta para chegarmos ao conceito atual de finidade, ou seja, um movimento que se esgota em si. Isso ocorreu principalmente em função das invenções tecnológicas decorrentes da Revolução Francesa e da Revolução Industrial que proporcionaram uma visão de mundo cíclica e mutável. Daí a propagação da ideia de tendências aplicarem-se a diversas áreas, como a gastronomia, tecnologia, automóveis, decoração, artes, arquitetura, moda e etc.
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Dessa forma, o varejo e o visual merchandising também incorporaram essa tal metamorfose das tendências como um estímulo a mais ao consumo, uma vez que roupas novas em ambientes estáticos não têm toda sua capacidade de encantamento explorada.
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Quando estudamos a teoria das tendências nos deparamos com três modelos de difusão:
(1) o Efeito Trickle-down ou Gotejamento, referente as tendências que nascem no topo da sociedade e nas marcas de luxo e, por efeito cascata, gradativamente vão se popularizando até chegar às lojas de departamentos para se massificar nas ruas.
(2) Efeito Bubble-up ou Ebulição que se refere as tendências que saem de grupos das ruas ou de empresas alternativas e pouco destacadas, subindo gradativamente até alcançarem as grandes marcas do segmento para, depois, massificarem-se também.
(3) Efeito Trickle Across ou Fluxo Horizontal refere-se a modismos que surgem quase concomitantemente em diversos segmentos sociais ou comerciais, dada a sua força de disseminação.
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Quando analisamos o segmento do visual merchandising, identificamos que apenas o Efeito Trickle-down se aplica enquanto modelo de difusão das tendências. Isso ocorre em função do alto custo que envolve a construção de uma marca fundamentada numa política de vanguarda, o que obrigatoriamente está vinculado às marcas de luxo. Logo, sabemos que será no mercado de luxo que acontecerão a maior quantidade de pesquisas, estudos, projetos experimentais; onde há todo um amparo financeiro e tecnológico a fim de explorar-se tanto tecnicamente como cenograficamente as possibilidades criativas do visual merchandising e vitrinismo de moda.
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Alguns estudiosos denominam esse fenômeno de “Cadeia (ou Teia) Alimentar do Visual Merchandising”, pois, como explica a Biologia, a cadeia alimentar possui um fluxo de energia, que começa nos produtores, que são as plantas, dirige-se aos consumidores, como os animais herbívoros e os carnívoros, e chega aos decompositores, como fungos e as bactérias, passando por vários níveis tróficos.
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Dessa forma, entende-se que os produtores posicionam-se no top da Cadeia, assim como as marcas de luxo, criando e gerindo estratégias de visual merchandising que servirão de energia para mover toda a teia. As grandes marcas (grifes), provenientes de grupos economicamente fortes, atuam como os consumidores, uma vez que absorvem tais informações e convertem em possibilidades mais comerciais.
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O grande varejo popular, as redes de fast fashion e os magazines atuam como os decompositores dessa cadeia alimentar, uma vez que suas margens de lucro são menores, suas apostas devem ser menos arriscadas e seu giro de estoque deve ser muito mais rápido, logo, não há tempo e nem recursos financeiros para pesquisa e desenvolvimento próprios – ainda que isso ocorra em menor escala em todos os níveis da Cadeia Alimentar do Visual Merchandising.
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A energia e os nutrientes utilizados por todos os organismos, através da cadeia alimentar, vai se perdendo no momento de cada transferência, na forma de calor que não é reaproveitável. Portanto, se os envolvidos na cadeia alimentar forem em número menor, mais energia terão os organismos envolvidos neste processo. Para o visual merchandising, entende-se que quanto maior o segmento mais dispersa será a tendência e menos aproveitamento haverá para cada envolvido, uma vez que a disseminação degenera o poder de novidade da tendência.
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Logo, nichos de mercado, que são tecnicamente menores, tendem a aproveitar-se melhor e por mais tempo dos fluxos de informação de visual merchandising, haja vista que poucos envolvidos disseminam menos a informação e, por isso, ela preserva-se nova por mais tempo.
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