A Nike matou a Umbro

England Kit Launch
O mercado esportivo deveria estar em luto. Vendida pela Nike por US$ 225 milhões para a Iconix, a Umbro, uma marca que faria 90 anos em 2014, morreu.
O negócio pode parecer, à primeira impressão, negativo para a Nike. Afinal, a gigante pagou US$ 582 milhões para adquirir a Umbro em 2008 e a vende agora por menos da metade. Mas a norte-americana absorveu da inglesa seus principais ativos, aqueles que ainda a mantinham respirando.
A seleção da Inglaterra, que vestia Umbro desde a década de 1950, passa a usar Nike a partir de 2013. O Manchester City, um dos protagonistas recentes do Campeonato Inglês, igualmente, irá migrar para a marca norte-americana. E as seleções da Suécia e da Irlanda  segundo disse a porta-voz da Nike, Mary Remuzzi, à imprensa estrangeira  podem ter o mesmo destino. Até no Brasil, o Santos deixou de vestir Umbro para utilizar Nike neste ano.
Fabricar os uniformes de grandes seleções, como os da Inglaterra, é fundamental para manter a marca desejada pelo público e, consequentemente, as vendas em alta. O dinheiro que a Nike passará a ganhar com as camisas e com o prestígio do English Team precisa ser inserido na conta.
É verdade que a Nike não teve todo o sucesso que esperava. A estratégia adotada em 2008 era comprar a Umbro para crescer no mercado europeu, uma espécie de revanche à alemã Adidas, que comprou a Reebok em 2005 para se fortalecer nos Estados Unidos. A própria Nike, em 2003, comprou a Converse por US$ 305 milhões e conseguiu fazer, por exemplo, com que a marca tivesse um crescimento de dois dígitos em 2012. A Converse, hoje, responde por 13% da receita anual de US$ 24 bilhões da Nike. Logo, a meta era fazer o mesmo com a Umbro: ressuscitá-la e ganhar a Europa.
Mas no futebol os negócios são dependentes do que acontece dentro de campo. A Inglaterra não conseguiu em 2008 sequer participar da Eurocopa, depois de ter sido eliminada na fase classificatória, e desde então o desempenho nas vendas da Umbro declinou. Nas contas da Nike, a Umbro e a Cole Haan, outra marca que está em processo de venda, causaram um prejuízo combinado de US$ 43 milhões em 2012 ao grupo. Se elas fosse mantidas até o fim do ano fiscal, as perdas chegariam a US$ 75 milhões.
O que a Iconix compra da Nike, portanto, é o charme da Umbro. Apenas o charme. A marca não conseguiu resistir à polarização global entre Nike e Adidas e agora, sem a seleção da Inglaterra, sem nenhum expressivo clube europeu, tende a ter um desempenho financeiro ainda pior do que o atual. O caminho a ser trilhado deve se parecer com o que foi tomado no Brasil: fornecer materiais para clubes de terceira e quarta divisão, focar em mercados emergentes como o Nordeste, e se contentar com resultados modestos.
Fonte:  Época Negócios
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